O BRASIL OLÍMPICO
por Michel Chedid Rossi
Os jogos olímpicos já acabaram, os EUA, Rússia e
China tiveram de pagar excesso de bagagem pelas tantas medalhas conquistadas. Já
o Brasil...
Durante os jogos, a mídia em geral nos presenteou
com todos os tipos de explicações possíveis acerca dos motivos que levaram o
nosso país a fazer um papel tão feio em Sydney: falaram em "complexo de
povo conquistado", "latinidade malemolente",
"falta de preparo", povo
vira-lata, "falta de raça" e outras pérolas do gênero.
Entretanto, analisando atentamente o quadro geral
de medalhas, e as oportunidades reais que algumas
modalidades tiveram de chegar ao topo do pódium, acabei ficando com a
impressão que esse é mesmo um país de sérios contrastes, onde um dia você
é herói, no outro é um execrável vilão.
Mas...já parou para pensar em quantas chances reais
de medalha de ouro o Brasil teve ? Não? Então aqui vai: seis! Quer ver só: 2 no vôlei de praia; 1 no iatismo; 1 no
hipismo; 1 no futebol (ah, Luxemburgo...) e 1 no tênis.
Em
todos esses esportes, nossos atletas são considerados os melhores do mundo! Ou
seja: 6 medalhas de ouro certas !! E vejam vocês: se desse a lógica
o Brasil teria conquistado o 14º lugar no ranking de medalhas, superando países
de ponta no esporte, como o Japão, o Canadá, a
Bulgária e a Espanha.
Quero dizer com isso que, apesar de não termos
conquistado um lugar muito honroso no pódium, o certo é que - infelizmente - nós
perdemos onde éramos favoritos, e isso não pode levar a conclusão de que
somos um país de "vira-latas"
ou então que "a culpa é da nossa
latinidade " !?! Até porque, muitos desses atletas considerados
favoritos para o ouro, de "latinos" não têm nada (Kuerten, Sheidt,
Grael e aí vai...).
De uma vez por todas: vamos acabar com esse
abatimento em nossa auto-estima toda vez que um percalço surge à nossa frente!
Pensamentos carregados de pessimismo só atrasa o aperfeiçoamento de nação,
que é e deve ser soberana, fruto de um amor maior que nos une e nos impele à
frente como cidadãos!
Nossas crianças precisam saber que o Brasil não
é o 52º país do mundo: precisam é ter a consciência de que alguns de nossos
atletas - apenas não conseguiram atingir aquilo que o mundo todo
esperava deles!
E para encerrar, gostaria de deixar uma sugestão
para o nosso ginete: da próxima vez, vê se dá rapadura
pra esse cavalo, Rodrigo!!
(outubro de 2000)