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Crianças
trabalhadoras
A
Constituição Federal brasileira proíbe o trabalho para
menores de 16 anos, com exceção do trabalho como aprendiz,
que pode ser realizado a partir dos 14. Entretanto, quase 3
milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos
trabalham em todo o Brasil.
Eles
estão nas lavouras de grandes e pequenas propriedades
rurais. Nas olarias, carvoarias e oficinas das pequenas
cidades. Nas metrópoles, vendendo bugigangas nos sinais ou
procurando comida nos lixões. Em lares de estranhos,
prestando serviços domésticos por longas jornadas diárias.
Em muitas outras atividades por todo o país.
Trabalhando
precocemente, essas crianças comprometem seu
desenvolvimento físico, moral e intelectual. Na escola, têm
menor rendimento e maior grau de repetência e evasão. Em
casa, carregam o fardo, insuportável para a idade, de ter
de ajudar no sustento da família. Não têm tempo livre
para brincar e assim desenvolver sua criatividade e
capacidade de raciocínio.
O
Selo Empresa Amiga da Criança
Para
contribuir no combate à exploração do trabalho das crianças
brasileiras a Fundação Abrinq criou em 1995 o Programa
Empresa Amiga da Criança. Por meio do engajamento de
empresas, da influência em políticas públicas e da
conscientização da sociedade, o Programa pretende integrar
um conjunto de esforços que seja capaz de erradicar o
trabalho infantil no Brasil.
A
principal estratégia do Programa é a certificação de
empresas com o selo Empresa Amiga da Criança. O selo é uma
ferramenta para o consumidor, pois permite que ele escolha
produtos ou serviços com base no compromisso da empresa com
a criança.
Essa
preocupação com uma conduta socialmente responsável das
corporações tem crescido entre os consumidores: 51% deles
afirmam que deixariam de comprar o produto de uma empresa
que fosse acusada de explorar a mão-de-obra infantil.
Para
solicitar o selo, a empresa deve preencher os seguintes
requisitos:
- Assinar
o compromisso de não utilização da mão-de-obra
infantil;
- Apoiar
ou desenvolver ações sociais que melhorem as condições
de vida de crianças e adolescentes;
- Divulgar
os compromissos assumidos para sua rede de parceiros,
clientes e fornecedores, favorecendo o engajamento de
mais atores sociais no processo.
O
Programa conta com empresas que desenvolvem ou apoiam
projetos sociais; mantêm instituições de defesa e
atendimento a crianças e adolescentes; investem nos Fundos
Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente;
participam de projetos de capacitação profissional para
adolescentes; realizam parcerias com a escola pública;
investem em programas de bolsa-escola; desenvolvem programas
de voluntariado corporativo; além de outras ações que
beneficiam crianças e adolescentes no Brasil.
Pactos
setoriais
Outra
estratégia utilizada pela Fundação Abrinq com o objetivo
de engajar as empresas na luta pela erradicação do
trabalho infantil é a articulação de pactos setoriais. O
pacto representa a formalização do compromisso de um setor
produtivo em (I) não utilizar o trabalho de crianças e (II)
desenvolver ações para que isso não ocorra em toda a sua
cadeia produtiva.
A
articulação dos pactos setoriais têm ocorrido desde 1996,
quando a Câmara Paulista do Setor Sucroalcooleiro propôs a
assinatura de um compromisso no estado, após uma grande
mobilização da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança
pela inclusão de restrições ao trabalho infantil no Proálcool.
Os
compromissos assumidos nos pactos geralmente envolvem:
- Intervenção
das empresas na cadeia produtiva, objetivando eliminar o
trabalho infantil;
- desenvolver
ou participar de ações que promovam a permanência das
crianças em escolas de qualidade, a capacitação
profissional de adolescentes e a complementação de
renda das famílias;
investir nos fundos dos direitos da criança, como forma
de financiar ações para o cumprimento do compromisso;
- sensibilizar
a opinião pública sobre a importância do acesso e
permanência da criança na escola.
Até
hoje os pactos foram assinados pelos seguintes setores
econômicos:
- Setor
sucroalcooleiro em São Paulo, Minas Gerais, Paraná,
Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Alagoas,
abrangendo 90% da produção nacional.
- Setor
citrícola abrangendo 100% da produção de laranja para
exportação.
- Setor
calçadista com abrangência nacional, incluindo 100% da
produção exportada de Franca.
- Setor
fumageiro no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
(estados de maior produção).
Ação
política
Desde
1995 a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança é
entidade-membro do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação
do Trabalho Infantil. O Fórum foi criado em 94, com o apoio
do Unicef e da OIT, pretendendo reunir todos os níveis do
poder público e da sociedade interessados no tema.
O
objetivo do Fórum é atuar como uma instância aglutinadora
e articuladora dos agentes sociais intitucionais envolvidos
em políticas e programas que buscam a prevenção e a
erradicação do trabalho infantil. Governo, ONG's, centrais
sindicais e associações de empregadores participam.
Além
disso o Programa subsidia a formulação de projetos de lei
e de políticas públicas que contribuam para o combate ao
trabalho infantil. Um exemplo é o projeto de lei da
deputada Rita Camata, idealizado pela Fundação Abrinq e
aprovado no plenário do Congresso, que inclui como
requisito para participação em licitações públicas a
comprovação de não utilização de trabalho infantil pela
empresa.
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